Por Ana Bottallo

Mulheres ainda são minoria na Ciência. Um estudo realizado em 2015 pela UNESCO[1] mostra que 28% dos cientistas no mundo são mulheres. A organização mundial levantou os dados de 137 países e chegou a esse resultado final, mas alguns países importantes, como os Estados Unidos e o Brasil, não entraram na análise por terem dados incompatíveis com a metodologia utilizada. Dentre as regiões globais estudadas, a que apresentou a maior porcentagem de mulheres na ciência foi a Ásia Central (47%), enquanto o Sudeste Asiático apresentou a menor porcentagem (19%). Se analisarmos alguns países individualmente, a Bolívia (63%) e a Venezuela (56%) figuram como os principais países onde a porcentagem de mulheres é maior que a de homens e a chamada disparidade de gênero (gender gap, a diferença entre a representatividade dos gêneros no âmbito social) é inexistente, dando lugar à equidade de gênero (gender parity, quando a representatividade de gênero é a mesma, levando a uma equidade ou paridade entre os gêneros). Essa tendência em direção à equidade de gênero já podia ser observada há mais de 20 anos em Portugal (49%), enquanto os demais países europeus, entre eles Alemanha e França, apresentam menos de um terço (28%) da sua comunidade científica representada pelas mulheres. Outros países, como Etiópia (13%), Togo (10%) e Arábia Saudita (1.4%) apresentam os menores índices.

Analisando os dados recentes da UNESCO, ao menos globalmente, parece existir uma redução da disparidade de gênero em direção à equidade. Mas essa redução, segundo os autores do relatório, é apenas uma “ilusão” frente a outro dado menos evidente: um número expressivo de mulheres segue uma especialização acadêmica, e chegam a representar até 53% dos bacharéis em cursos de ensino superior em ciências. A partir daí as mulheres continuam na pós-graduação, onde a mesma porcentagem (53%) busca o mestrado, e 43% o doutorado (PhD). Como explicar então a porcentagem de apenas 28% de cientistas no mundo serem mulheres?

“Vazamento de duto” científico

As pesquisadoras do Instituto de Estatística da UNESCO deram um nome incomum a esse fenômeno: “vazamento de duto” (Figura 1); ou seja, embora uma proporção semelhante de homens e mulheres ingressem na área acadêmica, uma parcela significativa de mulheres abandona o processo no meio, não alcançando assim as posições de maior prestígio disponíveis nas instituições de pesquisa e universidades. Assim, em cada etapa da carreira acadêmica o número de mulheres cai, ao passo que ao chegarmos nos grupos que formam comitês científicos que atuam diretamente na tomada de decisões de cunho político-social, poucas mulheres ocupam esses cargos. Em 2015, o Comissário de Pesquisa da União Europeia, Carlos Moedas, alertou para esse problema, levantando o questionamento ainda do porquê a maioria dos empreendedores em ciências, tecnologia e engenharia ainda serem homens[2]. Frente a esse quadro, alguns países, como a Alemanha, têm sido pioneiros em iniciativas que visam minimizar esse efeito. Um bom exemplo desse esforço é o da primeira-ministra alemã Angela Merkel, que criou, em 2010, o portal AcademiaNet[3], uma parceria dos grupos Robert Bosch Stiftung (fundação privada alemã que visa promover ações direcionadas às Ciências Naturais e Sociais, incluindo Saúde), Spektrum der Wissenschaft (periódico do grupo Georg von Holtzbrinck) e Nature Publishing Group (editora científica do grupo Nature), cujo objetivo é manter uma base de dados de pesquisadoras de excelência, dando assim maior visibilidade a elas e possibilitando a busca por lideranças femininas, seja para se tornarem representantes em comitês científicos e em corpos editoriais, para conduzirem processos de organização de conferências e simpósios, como também para serem consideradas aos cargos em instituições de pesquisa de alto nível.

Figura 1. Vazamento de duto: Porcentagem de mulheres no Ensino Superior e Pesquisa. Modificado de: UNESCO Institute for Statistics, UNESCO Women in Science Report, 2015.

Por outro lado, um estudo conduzido pela editora holandesa Elsevier e publicado no dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher) desse ano, mostra uma melhora significativa na relação mulheres/homens que publicaram artigos científicos nos últimos 20 anos[4,5]. O relatório apresenta dados inéditos para 27 áreas do conhecimento em 12 regiões geográficas do planeta. Os pesquisadores analisaram os gêneros dos autores que publicaram nos últimos 20 anos (divididos em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015) nas revistas indexadas na base de dados Scopus para se ter, assim, um panorama da proporção de homens/mulheres no meio acadêmico. No período de 1996 a 2000, apenas Portugal figurava entre os países que apresentavam equidade de gênero (>40% de mulheres cientistas), enquanto que no período de 2011 a 2015, nove entre os 12 países analisados pela Editora apresentaram uma proporção feminina maior do que 40%. Esses países são: Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Portugal, Reino Unido e a União Europeia (Figura 2). Dentre os resultados dos últimos cinco anos, o Brasil figura junto com Portugal em primeiro lugar na lista de equidade de gênero, com 49% de autoras mulheres registradas na pesquisa. Na outra ponta do espectro está o Japão, que apresenta ainda a menor proporção de autoras mulheres (20%).

Frente a esse quadro, alguns países, como a Alemanha, têm sido pioneiros em iniciativas que visam minimizar esse efeito.

Quando nos atemos mais especificamente às áreas de conhecimento, esses dados podem ainda mudar: embora a maioria dos pesquisadores que publicaram nas áreas de Ciências da Saúde e da Vida sejam mulheres, na área conhecida por STEM (sigla em inglês para “Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática”) as mulheres voltam a ter uma representatividade menor no âmbito global (menos de 25%, segundo dados da Elsevier). Para os amantes da série de comédia norte-americana “The Big Bang Theory”, esse fato não deve surpreender, já que no seriado as duas mulheres cientistas que são personagens principais – Amy Farrah-Fowler e Bernadette Rostenkowski – são, respectivamente, uma neurocientista e uma microbiologista, enquanto os quatro meninos são físicos e/ou engenheiros. É claro que não podemos considerar isso uma coincidência – a série retrata de maneira extremamente estereotipada os jovens cientistas.

 

Figura 2. Proporção de homens e mulheres como autores de artigos científicos em revistas indexadas na base de dados Scopus de onze países e União Europeia, entre os períodos 1996-2000 e 2011-2015. Modificado de: Elsevier Gender Report, 2017.

Esse estereótipo se reflete na realidade da pesquisa brasileira quando se analisam separadamente as áreas do conhecimento. No Brasil, as mulheres representam apenas 23% dos autores em ciências da computação e 24,8% em matemática, frente a 72,9% em imunologia e 58% em microbiologia (Figura 3). Por outro lado, a autoria feminina corresponde a 48% dos trabalhos publicados em engenharia no período de 2011 a 2015 (Figura 4). Contudo, é preciso ter cautela ao comparar os dois períodos estudados, visto que o número de publicações do país aumentou de maneira geral entre 2011 e 2015, ou seja, o número de publicações por autores masculinos também aumentou nos últimos anos. Além disso, sabemos que as mulheres podem representar hoje uma parcela significativa dos pesquisadores brasileiros, mas uma minoria (14%) ainda ocupa cargos de Reitoria e Pró-Reitoria nas universidades (dados referentes ao ano 2010) [6]. Felizmente, nas Políticas Públicas, Inovação e Tecnologia, o cenário brasileiro corresponde a um avanço significativo em direção à equidade, e a participação das mulheres é tida como uma referência mundial, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos[7].

Figura 3. Proporção de homens e mulheres na pesquisa por área de conhecimento no Brasil (período de 2011-2015). Modificado de: Elsevier Gender Report, 2017.

Mulheres produzem menos

Outro dado obtido pelo estudo da Elsevier é que as mulheres, em média, publicam menos que os homens. Essa média variou de 0.3 a 1 artigo por pessoa no período observado (2011-2015). No Brasil, a média observada foi de 1.2 artigo publicado por mulheres frente a 1.5 por homens. Porém, não há nenhum dado que sustente que as mulheres sejam menos citadas ou que seus trabalhos sejam menos baixados do que os dos homens. No entanto, há no perfil das autoras estudadas pela Elsevier uma tendência em apresentar uma baixa experiência profissional e uma menor taxa de colaboração em comparação com os homens. Esses dados podem ser cruzados com resultados obtidos de diversos estudos que apontam que as mulheres são, em menor frequência, convidadas a fazer parte de comitês científicos organizadores, participar de mesas redondas, receber prêmios, fazer parte de corpos editoriais ou ser peer reviewers de revistas especializadas nas suas áreas de atuação. Em estudo feito pela revista Functional Ecology[8], os pesquisadores observaram que as mulheres respondiam de maneira igual quando convidadas para serem revisoras de artigos por editores homens ou mulheres, mas que os homens respondiam e aceitavam ser revisores com frequência muito menor quando as mulheres eram editoras das revistas que os convidavam. Adiciona-se a isso o fato de que a representatividade feminina em corpos editoriais de periódicos chega a ser três vezes menor que a masculina, embora a relação de autoria seja pouco mais de 1.5[9]. Em levantamento realizado para as áreas de Biologia do Desenvolvimento e Manejo e Conservação de Recursos Naturais, as pesquisadoras observaram que o número de mulheres nos corpos editoriais das principais revistas nas áreas corresponde a menos de 20% do total[10]. Esses números vão de encontro aos dados de representatividade feminina na pesquisa elencados pelos últimos relatórios aqui reportados. Se houve um aumento no número de mulheres na área acadêmica nos últimos 20 anos, por que essa proporção ainda é baixa em corpos editoriais e comitês científicos? Quais seriam os fatores por trás desse viés?

Figura 4. Proporção de homens e mulheres como autores de artigos científicos em revistas indexadas na base de dados Scopus de onze países e União Europeia, entre os períodos 1996-2000 e 2011-2015. Modificado de: Elsevier Gender Report, 2017.

Maternidade e família

Ao longo dos últimos anos, diversos estudos buscaram encontrar as causas que levam à disparidade de gênero na pesquisa [11-20]. Tradicionalmente, a Ciência era vista como algo majoritariamente masculino, o que pode ter influenciado na baixa representatividade feminina até meados do século XX. Porém, a nossa sociedade vem mudando, mesmo que pouco a pouco, e a representatividade feminina cresceu vertiginosamente nos últimos 50 anos, embora a realidade encontrada pelas mulheres na ciência (falta de recursos nos laboratórios, falta de reconhecimento, dificuldade em ter acesso à licença-maternidade, competição desigual com os colegas homens no âmbito da produtividade, principalmente quando a mulher é também responsável pelo cuidado da casa e da família, entre outras) e as consequências no desenvolvimento de suas carreiras científicas nos dizem algo muito sério[21]. A promoção e contratação das mulheres em cargos científicos de prestígio ainda é enviesada negativamente, e mesmo que esse viés seja proporcionalmente menor em alguns países, os recursos que as mulheres que lideram laboratórios obtêm são, muitas vezes, menores do que aqueles que os homens recebem[18-20].

Quais seriam, então, as causas encontradas pelos estudiosos da área para explicar essa diferença? A diferença primária no passado era, sem dúvida, a discriminação de gênero difundida na sociedade quanto à “habilidade” das mulheres para desenvolverem uma carreira científica. Existem hoje, entretanto, diversos trabalhos que elencam outros motivos que levam à essa disparidade[22,23]. A principal argumentação encontrada para essa disparidade é referente às diferenças de estilos de vida entre homens e mulheres. Muitas mulheres acabam deixando a carreira científica pela incompatibilidade em equilibrar a ascensão profissional com o desejo de ser mãe e ter uma família[24]. Se as mulheres ainda encontram dificuldades em ter acesso à sua licença-maternidade e a conciliar as responsabilidades inerentes à criação de um filho pequeno com a profissão, na carreira acadêmica, onde muitas vezes a carga de trabalho é ainda maior e a produtividade pessoal é um índice de avaliação do mérito profissional, esses direitos tornam-se ainda mais abstratos. É comum a reclamação de jovens cientistas, principalmente mestrandas e doutorandas, de enfrentarem diversas barreiras no período da gravidez e início da maternidade, como dificuldades burocráticas das agências de fomento para obter sua licença-maternidade e a não prorrogação de sua bolsa nos quatro meses de licença[25].

Mas devemos pensar que, se o simples fato de você compor uma família (ou ter interesse em) resultasse em uma diminuição significativa na taxa de contratação ou no recebimento de grants (bolsas de pesquisa) e demais fomentos institucionais, era de se esperar que este efeito se estendesse também aos homens que são pais de família. No entanto, as estatísticas mostram que o maior percentual de cientistas que crescem em suas carreiras é formado por homens, brancos e pais de família[26]. Assim, é evidente que a sociedade ainda despeja nas mulheres a maior parte da responsabilidade familiar, o que torna a cobrança em cima delas muito mais elevada do que nos homens, tanto no que diz respeito ao cuidado da família quanto à qualidade e evolução profissional.

É comum a reclamação de jovens cientistas, principalmente mestrandas e doutorandas, de enfrentarem diversas barreiras no período da gravidez e início da maternidade, como dificuldades burocráticas das agências de fomento para obter sua licença-maternidade e a não prorrogação de sua bolsa nos quatro meses de licença[25].

No entanto, nem tudo está perdido: percebendo esse problema e a importância de contorná-lo, algumas instituições criaram iniciativas que ajudam os pesquisadores (tanto homens quanto mulheres) a conciliarem a sua carreira científica com as responsabilidades e as necessidades de suas famílias. A University of California em Berkeley, nos Estados Unidos, implantou um programa chamado “Faculty Family Friendly Edge[27], que auxilia os novos pais com espaço para cuidado e lazer das crianças, Summer Camps (acampamentos de verão), licença de até 1 ano (não-pagas) para cuidar dos filhos, próprios ou adotivos, redução de responsabilidades institucionais por até dois períodos (quadri ou semestral) para focar no cuidado parental, opções de contrato de meio-período para os pais que apresentam alto índice de responsabilidade parental, entre outras.

Brilhantismo e ascensão na carreira

Mas então, e nos casos onde homens e mulheres são solteiros, estão igualmente sem filhos e não apresentam desejo em tê-los, e ainda há disparidade de gênero? Alguns trabalhos apontam que, mesmo em situações onde as escolhas de vida são as mesmas entre homens e mulheres, as mulheres jovens que acabaram de concluir seu pós-doutorado deixam a carreira científica em uma taxa duas vezes maior que os homens[28], e isso quando a proporção de homens e mulheres que o fazem por querer formar uma família é igual (20%). Uma outra justificativa, igualmente indefensável, encontrada com frequência (principalmente pelos responsáveis pela contratação ou indicação dos cientistas) é de que as “mulheres se interessam menos pela academia”. Culturalmente, a nossa sociedade tende a associar habilidades cognitivas extremamente desenvolvidas (= um indivíduo brilhante) aos homens, o que moldou o discurso de disparidade de gênero em cargos ou carreiras onde “ser gênio” é umfator determinante (Figura 5). Porém, se isso fosse verdade, a proporção de mulheres que não só entram nas universidades, mas que também obtêm diplomas de mestrado e doutorado em ciências (PhD) seriam diferentes daqueles encontrados atualmente (53%, 53% e 43%, respectivamente, como indicado anteriormente). Portanto, o problema não é a falta de interesse ou “inabilidade” das mulheres em áreas onde a inteligência é valorizada, mas sim a percepção ainda equivocada da sociedade de que a mulher é menos inteligente e hábil do que o homem.

Se houve um aumento no número de mulheres na área acadêmica nos últimos 20 anos, por que essa proporção ainda é baixa em corpos editoriais e comitês científicos? Quais seriam os fatores por trás desse viés?

Um estudo publicado no começo do ano na Science[29] mostra que, já aos 6 anos de idade, as meninas se sentem menos brilhantes e capazes a realizar tarefas de “extrema inteligência” do que os meninos, e isso poderia estar diretamente relacionado a uma menor procura por parte das mulheres pelas áreas de ciências exatas (popularmente tidas como “mais difíceis”). Este estudo mostrou uma tendência significativa nas meninas em apontarem a figura masculina quando perguntadas qual imagem elas associavam a uma pessoa “muito, muito inteligente”, embora a média de desempenho escolar das meninas, dos 6 aos 8 anos de idade, seja maior do que a dos meninos. A infância é um período crucial para o desenvolvimento do indivíduo, e a própria replicação (inconsciente) de estereótipos femininos por parte das meninas nessa idade tão jovem atua diretamente nas suas futuras escolhas.

Figura 5. Diagrama da hipótese de associação de habilidades específicas requeridas por área (FAB: field-specific ability beliefs). Modificado de: Meyer et al., 2015.

Infelizmente, não há novidade nas conclusões encontradas no trabalho da Science, de que a perpetuação de estereótipos femininos (desde a mais jovem idade) na sociedade afeta as escolhas das mulheres em suas decisões profissionais e aspirações pessoais. Adicionalmente, diversos estudos já mostraram que a baixa representatividade feminina em áreas tidas como “brilhantes” está diretamente relacionada à ideia de “menor inteligência e habilidade” das mulheres para essas práticas[30-32]. Essa ideia é replicada de maneira semelhante tanto na comunidade científica quanto pelo público geral. Se perguntadas sobre um exemplo de gênio ou de pessoa muito inteligente, é comum as pessoas responderem apontando um homem, um laureado do prêmio Nobel, um físico. São poucas as figuras de mulheres cientistas que são conhecidas da população e servem de modelo para as jovens meninas. Isso, obviamente, não significa que não existam mulheres brilhantes, apenas que a baixa (ou inexistente) representatividade feminina, ao longo dos últimos séculos, levou a um não reconhecimento do papel das mulheres nas áreas de Ciências. As poucas mulheres que conseguiram marcar o seu espaço o fizeram com muita dificuldade e inúmeras barreiras, barreiras estas geralmente inexistentes para os homens. Felizmente, a nossa sociedade atual reconhece a importância que um ambiente de trabalho misto traz para o desenvolvimento da pesquisa, visto que diferentes pontos de vista, contextos e experiências pessoais podem trazer inovações, criatividade e busca por novas perspectivas na Ciência[33].

Houve, sem dúvida, uma mudança notável do status quo, que foi conquistada pelas mulheres nos últimos 30 anos, permitindo assim a criação de diversas políticas públicas direcionadas especificamente para os problemas enfrentados por elas nas diversas áreas de atuação na sociedade. As conclusões dos trabalhos recentes[1,4,6,11,15-16,22,26,29] fornecem bases teóricas sólidas para que os comitês científicos, corpos editoriais, agências de fomento e gestores de universidades direcionem as suas políticas públicas no sentido de equacionar a disparidade de gênero ainda existente hoje em dia. Resta saber se essa ação será efetivamente executada em um futuro próximo.

Foto de capa: https://geict.wordpress.com/2017/06/06/apresentacao-no-geict-maio/

Imagens modificadas por: Ana Bottallo

Referências utilizadas:

[1] UNESCO Women in Science

[2] Huyer, S. (2015). Is the gender gap narrowing in science and engineering? In: UNESCO science report: towards 2030, 84-103.

[3] AcademiaNet

[4] Elsevier Gender Report

[5] Revista Pesquisa Fapesp, Ano 18, n. 254

[6] Abreu, A. (2011). National Assessments of Gender, Science, Technology and Innovation: Brazil.

[7] https://www.elsevier.com/connect/brazilian-women-lead-in-science-technology-and-innovation-study-shows

[8] Fox, C. W., Burns, C. S., & J. A. Meyer (2016). Editor and reviewer gender influence the peer review process but not peer review outcomes at an ecology journal. Functional Ecology, 30(1): 140-153.

[9] Gender Bias in Editorial Boards

[10] Cho, A. H., Johnson, S. A., Schuman, C. E., Adler, J. M., Gonzalez, O., Graves, S. J., Huebner, J. R., Marchant, D. B. Rifai, S. W., Skinner, I. & E. M. Bruna (2014). Women are underrepresented on the editorial boards of journals in environmental biology and natural resource management. PeerJ, 2: e542. doi:10.7717/peerj.542

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[13] Griffith,A.L. (2010) Persistence of women and minorities in STEM field majors: is it the school that matters? Economics of Education Review, 29: 911–922.

[14] Holt, A. & Webb, T. (2007) Gender in ecology: where are the female professors. Bulletin of the British Ecological Society, 38: 51–62.

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[23] Williams, W. M., & Ceci, S. J. (2015). National hiring experiments reveal 2: 1 faculty preference for women on STEM tenure track. Proceedings of the National Academy of Sciences, 112(17): 5360-5365.

 [24] Ceci, S. J., & Williams, W. M. 2007. Why Aren’t More Women in Science? APA Books, Washington, DC.

[25] http://www.anpg.org.br/vitoria-anpg-aprovada-a-lei-que-preve-mais-protecao-as-pos-graduandas-em-caso-de-gravidez-e-parto/

[26] Shen, H. (2013) Mind the gender gap. Nature, 495: 22–24.

[27] Faculty Family Friendly Edge

[28] Nature. (2012) Nature’s sexism. Nature, 491, 485.

[29] Bian, L., Leslie, S-J & A. Cimpian (2017). Gender stereotypes about intellectual ability emerge early and influence children’s interests. Science, 355 (6323): 389-391.

[30] Leslie, S-J., Cimpian, A., Meyer, M. & E. Freeland (2015). Expectations of brilliance underlie gender distributions across academic disciplines. Science, 347(6219), 262-265.

[31] Meyer, M., Cimpian, A., & S. J. Leslie (2015). Women are underrepresented in fields where success is believed to require brilliance. Frontiers in psychology, 6, 235.

[32] Storage, D., Horne, Z., Cimpian, A. & S-J. Leslie (2016). The frequency of “brilliant” and “genius” in teaching evaluations predicts the representation of women and African Americans across fields. PloS one, 11(3), e0150194.

[33] Diversity makes better Science