Por Alberto B. Carvalho

No ano de 2001, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) dá um grande passo no sentido de ampliar sua atuação no campo da Zoologia: surge o Laboratório de Paleontologia que, através de projetos coordenados pelo Prof. Dr. Hussam Zaher, passa a realizar uma série de campanhas de campo para prospecção de fósseis, não apenas no estado de São Paulo, mas também em diversas localidades fossilíferas no país. Junto com essa iniciativa, dá-se também início à nova Coleção de Paleontologia do MZUSP.

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Armário compactador da Coleção de Paleontologia do MZUSP.

A história acerca da Coleção de Paleontologia do MZUSP remonta ao final do século 19, quando o Museu recebeu diversos exemplares provenientes de uma antiga Coleção de História Natural organizada pelo coronel Joaquim Sertório na década de 1870 e posteriormente doada ao Governo do Estado de São Paulo pelo Conselheiro Francisco Mayrink. Ao longo de quase 40 anos, esse acervo fez parte da Coleção do Museu Paulista (MP), instalado no Parque da Independência, que por sua vez fica localizado no bairro do Ipiranga em São Paulo.

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Peixe fóssil do Líbano. Exemplar transferido da coleção do Museu Paulista sob o antigo número 847.

Em janeiro de 1939, todo o acervo zoológico da Seção de Zoologia do Museu Paulista foi transferido para o então recém-criado Departamento de Zoologia da Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo, que ganhou um prédio novo próximo ao Museu Paulista. Os fósseis do acervo antigo seguiram juntos nesta mudança. No entanto, foi apenas em 1969 que o prédio do Departamento de Zoologia e todo seu acervo passou para a Universidade de São Paulo, recebendo assim seu nome atual de Museu de Zoologia da USP.

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Caixas confeccionadas em papelão “acid free” usadas no acondicionamento dos espécimes da Coleção de Paleontologia do MZUSP.
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Placas de calcário contendo espécimes de mesossaurídeos do Permiano da Bacia do Paraná, Formação Irati.

A catalogação do acervo de fósseis do MZUSP foi finalizada pelo Prof. Dr. Paulo Emílio Vanzolini em 14 de outubro de 1955. Uma parte deste acervo ainda era formado pelos exemplares catalogados pertencentes à coleção antiga do Museu Paulista, e outra parte era formada por exemplares ainda não catalogados, porém com dados associados, e que receberam numeração superior a 10.000. Este trabalho foi fundamental para o resgate dos dados da maioria dos fósseis daquela coleção. Entretanto, alguns exemplares nunca foram encontrados ou seus dados são ainda desconhecidos devido à perda dos catálogos originais do acervo, um problema que assola ainda muitas coleções científicas antigas.

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Crânio completo de Mariliasuchus amarali, um crocodiliforme do Cretáceo Superior da Bacia Bauru, Formação Adamantina, município de Marília, estado de São Paulo.
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Crânio completo de Tapuiasaurus macedoi, um titanossauro do Cretáceo Inferior da Bacia Sanfranciscana, Formação Quiricó, município de Coração de Jesus, estado de Minas Gerais.

Passados quase 40 anos, através da iniciativa do Prof. Dr. Hussam Zaher, o MZUSP retoma a curadoria do antigo acervo de fósseis de vertebrados, reorganizando-o em uma nova coleção, que inclui novos materiais resultantes das coletas recentes feitas a partir de seus projetos. Como resultado dessas campanhas, centenas de novas amostras de fósseis, entre vertebrados, invertebrados e até vegetais, foram coletadas e preparadas, produzindo material de alta qualidade e importância para a Paleontologia. Alguns desses materiais representaram novas descrições e registros de organismos até então desconhecidos.

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Crânio de Bauruemys elegans, uma tartaruga do Cretáceo Superior da Bacia Bauru, Formação Presidente Prudente, município de Pirapozinho, estado de São Paulo.
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Osteodermo de crocodiliforme do Cretáceo Superior da Bacia Bauru, Formação Presidente Prudente, município de Pirapozinho, estado de São Paulo.

Além de enriquecer a Coleção de Paleontologia do MZUSP, estes materiais forneceram dados para uma série de publicações científicas, contribuindo para a formação de novos profissionais através da realização de trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado desenvolvidas dentro e fora da USP. Soma-se a isso a importância dos exemplares mais representativos, que fazem parte hoje do acervo expositivo permanente do MZUSP, oferecendo à sociedade a possibilidade de entender a dinâmica de trabalho de um paleontólogo e apreciar um pouco do passado remoto do nosso país.

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Esqueleto de pterossauro em exposição no Museu de Zoologia da USP.

Dessa forma, o Laboratório de Paleontologia, através da Coleção de Paleontologia do MZUSP e dos projetos de pesquisa associados, vem contribuindo de forma central para o crescimento e desenvolvimento da Paleontologia no Estado de São Paulo e no Brasil.

Fotos: Alberto B. Carvalho

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