Por Daniella França

É sabido que a Floresta Amazônica é um dos lugares mais diversos do mundo, e ela abriga inúmeras espécies de insetos, aves, mamíferos, répteis e também muitos anfíbios, que se beneficiam da elevada umidade desse enorme bioma. Um deles é o gênero Phyllomedusa, que compreende um complexo de 14 espécies distribuídas pela maior parte da América do Sul tropical (a leste da Cordilheira dos Andes). A espécie P. bicolor, conhecida popularmente como “kambô” (também “cambô” ou “kampu”), ocorre ao norte da América do Sul e, no Brasil, pode ser encontrada na Amazônia (figura 1), onde é amplamente distribuída, além de áreas de ecótono (transição) entre Amazônia e Cerrado.

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Figura 1: Trecho de floresta nativa no Estado do Acre, Bacia do Rio Purus, onde há ocorrência de Phyllomedusa bicolor. Foto: Daniella P. França.

A P. bicolor é a maior espécie de perereca brasileira; mas, por seu tamanho avantajado, é chamada de sapo pelas populações das localidades onde ocorre. De coloração verde-folha (figura 2), esse simpático animal mistura-se facilmente à vegetação, escalando-a com seus discos adesivos nas pontas dos dedos até alturas de 10 metros.

O significado de seu nome científico está relacionado ao seu hábito de vida arborícola (realiza a maior parte das atividades sobre a vegetação): do latim, Phyllomedusa: guardiã das plantas e bicolor: de duas cores.

Aspectos ecológicos

Para se reproduzir, o macho chama a fêmea através de seu canto de anúncio – um tipo de vocalização em que o macho tenta atrair a fêmea para o acasalamento – para o alto das árvores, onde se acasalam. Os ovos são colocados em folhas próximas a um curso d’água, para que, após eclodirem, os girinos possam cair na água, onde irão se alimentar e se desenvolver.

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Figura 2: Phyllomedusa bicolor repousando em um tronco. Foto: Daniella P. França

Infelizmente, essa espécie de anfíbio só consegue sobreviver em florestas bem conservadas, e sua existência tem sido bastante ameaçada pela destruição do habitat. O avanço da agropecuária, junto ao desmatamento para exploração mineral e madeireira, tem destruído progressivamente as áreas de vida das P. bicolor. É ainda mais triste constatar que esse quadro se repete para diversas outras espécies da nossa fauna, que também necessitam de áreas com o mínimo de interferência humana para existir.

Para mais informações técnicas sobre a espécie:

AmphibiaWeb

Herpetofauna

Guia de sapos da Reserva Ducke – Amazônia Central: https://ppbio.inpa.gov.br/guias

“Remédio da Ciência” e “Remédio da Alma”: os usos da secreção do kambô (Phyllomedusa bicolor) nas cidades: http://revistas.ufpr.br/campos/article/viewFile/9553/6626

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Jornalista, formado pela Universidade Paulista. Trabalhou em agência atuando no segmento de mídias sociais e redação para o meio empresarial. Fazendo Jus ao nome, acabou unindo-se aos biólogos no Museu de Zoologia da USP onde desenvolve um trabalho de digitalização da coleção de Herpetologia. É Editor Adjunto e Editor de Cultura Pop do site Filos.