Os Pokémon, abreviação para pocket monsters (monstros de bolso), são seres que já fazem parte da cultura popular há mais de 20 anos, através de jogos de videogame, animações, filmes, card games, brinquedos e tudo o mais que você possa imaginar. Para se ter uma ideia, no Japão, terra natal dos Pokémon, há lojas inteiras dedicadas apenas à marca Pokémon! E honestamente, quem nunca viu a cara do Pikachu por aí vive em outro mundo!

O criador dos monstrinhos, Satoshi Tajiri, cultivava desde criança o interesse pela exploração dos arredores de sua casa, e, como toda criança, ficava fascinado quando descobria novos animais, em especial insetos, os quais colecionava. Vamos partir daí para trazer à tona os diversos – e muitas vezes óbvios – exemplos que o mundo dos Pokémon tirou da realidade, sobretudo da biologia, e transportou para o entretenimento.

Pokémon – Figura 1
Satoshi Tajiri, o criador de Pokémon – Bulbapedia

Particularmente, este que vos escreve acompanha a evolução (trocadilho inevitável!) da “Pokemania” desde seu boom no final dos anos 90, em especial nos games. Entre 1998 e 2000 já encontrávamos no Brasil as primeiras versões dos jogos para o extinto Gameboy®: Pokémon Red e Blue. O jogo consiste basicamente em capturar e treinar os Pokémon, enquanto viajamos pelo continente a fim de coletar as oito insígnias dos “ginásios” e se tornar então o campeão da “Liga Pokémon“.

Mas essa era a parte fácil. A parte difícil era colecionar todos os 150 monstrinhos existentes até então. Se isso já era um trabalho árduo quando eram apenas 150 (e um, já que o último da lista era adquirido através de um evento – o Mew), hoje já somam-se 807 espécies Pokémon diferentes! O paralelo com a realidade das expedições de campo dos biólogos, muitas vezes em busca de determinada espécie para estudo, é inegável!

Pokémon – Figura 2
Os 151 Pokémon originais – Playbuzz

E além de classificados por espécies, os Pokémon são separados por tipos, sendo que cada tipo possui fraquezas e vantagens em relação ao outro. Por exemplo: um Pokémon do tipo fogo é fraco contra um do tipo água, mas forte contra um Pokémon do tipo planta, que por sua vez é eficiente contra Pokémon do tipo água. O mesmo acontecesse com todos os outros tipos: normal, voador, terrestre, psíquico, fantasma, elétrico, gelo, inseto, pedra, e mais alguns que deixaremos à sua curiosidade!

De acordo com o tipo, os Pokémon são encontrados em locais específicos: os insetos podem ser localizados nas florestas, os de fogo próximos a áreas vulcânicas, os de água no mar ou outros corpos d’água, os elétricos em áreas onde existem usinas de energia, os de gelo em meio à neve, e assim por diante. Inclusive, essa característica foi explorada no mundo real com o lançamento do game para smartphones Pokémon Go, que permite capturar os Pokémon espalhados pelo mundo real com o auxílio do recurso de realidade aumentada, e tornou-se febre à época do lançamento, trazendo mais uma vez os monstrinhos ao centro das atenções!

Pokémon – Figura 3
Bulbasaur, Charmander e Squirtle – Exemplos de Pokémon do tipo planta, fogo e água, respectivamente. – Bulbapedia

Muitos Pokémon são semelhantes a animais presentes no nosso mundo (apesar de isso não ser uma regra), e contam com as chamadas evoluções: transformações que ocorrem à medida que você os treina. Com isso, eles mudam de nome e forma, e essas novas formas se adaptam melhor a determinadas condições. Por exemplo, um Pokémon que começa como larva pode se tornar uma borboleta, e um Pokémon que em sua primeira forma “infantil” não conta com asas, pode vir a voar em sua forma “adulta”, além de ganhar novos golpes à medida que evolui. Além disso, alguns Pokémon evoluem somente em condições e locais específicos, como em cavernas, durante a noite, próximos de plantas e no contato com “pedras especiais”, ou ainda quando criados com alto nível de “bem-estar”, e por aí vai…

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Exemplo da cadeia de evolução de um Pokémon inspirado nas fases da lagarta, casulo e borboleta. – Bulbapedia

Cada um dos jogos da franquia conta também com um professor, que é uma espécie de “mentor” do personagem principal durante a jornada. Os professores possuem especializações em áreas de conhecimento diferentes, cada um estudando determinada característica dos Pokémon: há professores especialistas em evolução, reprodução, novos ataques dos Pokémon (o que pode ser relacionado aos métodos de caça e defesa dos animais no mundo real), origem dos Pokémon, seu habitat e até mesmo sua relação com os humanos dentro do universo dos games.

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Os professores Pokémon – Nowloading.com

Os continentes presentes nos jogos são, em sua maioria, baseados em locais reais. Há versões inspiradas nos Estados Unidos e Europa, e em locais específicos como o Havaí, sem falar nas regiões japonesas: de Okinawa, passando pelas regiões montanhosas e tradicionais, com menção honrosa para a região de Kanto: local onde se encontra Tóquio e inspiração para o mapa dos primeiros jogos da série.

Pokémon – Figura 6
A região fictícia de Kanto, local onde ocorrem os primeiros jogos da série. – Bulbapedia

Além dos produtos e do conteúdo oficial, podemos mencionar também algumas empreitadas realizadas por fãs que buscam maior realismo no “estudo” dos Pokémon, a exemplo da publicação Pokénatomy, um livro de anatomia real imaginado para os bichinhos, bem como – pasmem – diversos modelos de árvores filogenéticas dedicadas exclusivamente aos Pokémon, incluindo ao menos uma criada por pesquisadores reais (clique aqui para ver). Tudo feito com um dedo na realidade, mas também com uma grande dose de liberdade criativa, claro!

Pokémon – Figura 7
Imagens do livro não oficial Pokénatomy. – Kickstarter

O fato é que, para sentir a atmosfera e o paralelo dos jogos com a realidade, só capturando e treinando os Pokémon por você mesmo. Afinal, para curtir um bom game não há idade, certo?

Atualmente, os jogos Pokémon estão em sua sétima geração, nas versões UltraSun e UltraMoon, disponíveis para o console portátil Nintendo 3DS. A oitava geração vem aí, e será exclusiva para o Nintendo Switch, mais novo console da gigante empresa japonesa.

Agora com licença, pois como era dito na época da febre, temos que pegar!

Por Luis Henrique Bio

Bônus do autor: a trilha sonora dos jogos de Pokémon é insuperável, ouça com atenção! Pode ser até pelo YouTube enquanto lê este texto…

 

Fontes:

A Phylogeny and Evolutionary History of the Pokémon: https://www.improbable.com/airchives/paperair/volume18/v18i4/Phylogeny-Pokemon.pdf

Árvore filogenética dos Pokémon: https://imgur.com/e8eFs

Trendr – Ciência Pokémon: https://goo.gl/B1dGba

Biology in life: https://biologyinlife.wordpress.com/tag/moth/

Kickstarter – Pokénatomy: https://www.kickstarter.com/projects/1315321681/pokenatomy-an-unofficial-guide-to-the-science-of-p

Bulbapedia – https://bulbapedia.bulbagarden.net/wiki/Main_Page

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Jornalista, formado pela Universidade Paulista. Trabalhou em agência atuando no segmento de mídias sociais e redação para o meio empresarial. Fazendo Jus ao nome, acabou unindo-se aos biólogos no Museu de Zoologia da USP onde desenvolve um trabalho de digitalização da coleção de Herpetologia. É Editor Adjunto e Editor de Cultura Pop do site Filos.