Por Leo R. Malagoli e Natália Rizzo Friol

Como já discutido aqui no Filos (Ver texto: Sapo, Perereca ou Rã?), a perereca-das-folhagens, é assim chamada por apresentar discos adesivos, olhos grandes e voltados para a frente, pernas longas e viver empoleirada sobre folhas e galhos de arbustos e árvores. Essa espécie possui o nome científico Hylomantis aspera e, como o nome já sugere, é devido à aspereza de sua pele. Uma curiosidade à parte, o gênero Hylomantis possui duas espécies: Hylomantis aspera e Hylomantis granulosa; a segunda apresenta uma grande quantidade de grânulos na pele, aparentando maior aspereza do que a própria H. aspera. Além do interessante significado do nome, vale ressaltar que essa espécie faz parte da família de pererecas Phyllomedusidae. As espécies desta família possuem a característica de caminhar através da locomoção em marcha entre galhos e folhas ao invés de simplesmente saltar, como muitas espécies de outras famílias de anuros. Os olhos que apresentam pupilas em formato vertical, semelhante aos olhos dos felinos por exemplo, também é outra característica marcante desta carismática família de pererecas.

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Figura 1. Perereca-das-folhagens empoleirada sobre um galho. Foto: Leo R. Malagoli.

A perereca-das-folhagens vive na Mata Atlântica e é uma espécie endêmica da região costeira do sul da Bahia. Na mata, ela é encontrada sempre na vegetação próxima às poças temporárias e permanentes, e áreas de brejos em florestas bem preservadas de baixada. Uma característica muito interessante é que, ao menor sinal de perigo, esta espécie exibe um comportamento defensivo peculiar. Ela se encolhe, fecha os olhos e fica imóvel sobre um galho, uma folha ou qualquer superfície que esteja, como pode ser observado nas imagens abaixo (Figura 2).

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Figura 2. Comportamento defensivo da perereca-das-folhagens. Foto: Leo R. Malagoli.

Um outro momento em que essa espécie apresenta comportamento defensivo semelhante, é durante o amplexo (Figura 3).

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Figura 3. Um casal de perereca-das-folhagens em amplexo. Foto: Leo R. Malagoli.

Se a corte for bem-sucedida, os ovos são depositados sobre pedras ou troncos de árvores ao lado ou acima do corpo d’água. A medida em que os ovos eclodem, os girinos caem ou pulam diretamente na água (Figura 4).

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Figura 4. Desova da perereca-das-folhagens sobre o tronco de uma árvore. Foto: Leo R. Malagoli.

Todos os indivíduos das fotografias, incluindo a desova, foram registrados em uma floresta de baixada no município de Ilhéus, Bahia, em fevereiro de 2013 e janeiro de 2014.

Para saber mais:

Pimenta, B.V.S., Nunes, I., & Cruz, C.A.G. 2007. Notes on the poorly known phyllomedusine frog Hylomantis aspera Peters, 1872 (Anura, Hylidae). South American Journal of Herpetology, 2(3), 206-214.

Toledo, L.F., Sazima, I. & Haddad, C.F.B. 2011. Behavioural defenses of anurans: an overview. Ethology, Ecology & Evolution, 23: 1-25.